Gonçalo Couceiro é o novo director do... Igespar

Gonçalo Couceiro, director da Direcção Regional do Ministério da Cultura no Algarve, foi o escolhido para substituir Elísio Summavielle, como director do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico, isto é do nosso conhecido Igespar.

O Igespar foi criado no âmbito da nova lei orgânica do Ministério da Cultura, sendo o resultado da extinção e fusão do Instituto Português de Arqueologia e do Instituto Português do Património Arquitectónico. Nascido então da soma do IPA com o IPPAR, este instituto tem como pressupostos a "gestão, a salvaguarda, a conservação e a valorização dos bens que, pelo seu interesse histórico, artístico, paisagístico, científico, social e técnico, integrem o património cultural arquitectónico e arqueológico classificado do País."(Artº21-1)

Pois então, enquanto o antigo director Elísio Summavielle se "transfere" para o actual Governo, para assumir as funções de Secretário de Estado da Cultura, Gonçalo Couceiro - licenciado em História de Arte pela Universidade Nova de Lisboa, mestre pela École Pratique des Hautes Études (Sorbonne) e, Engenheiro Electrotécnico pelo Instituto Militar dos Pupilos do Exército - assume a direcção do Igespar.

E em uma das suas primeiras declarações, este ex-assessor sénior de Intervenção Urbana na Lisboa 94 – Capital Europeia da Cultura, logo declarou, "de rajada", direi até mesmo "a sangue frio" que a nova direcção assentaria "num trabalho de continuidade apoiado nas regras da nova lei do Património"1.

"...DE CONTINUIDADE..." ?!

Mas será a mesma continuidade que permitiu a "destruição" dos edifícios que compõem a antiga Companhia de Moagens Harmonia, junto ao Palácio do Freixo - também este alterado depois de milhões de euros gastos pelo erário público -, um dos melhores exemplares do Património Industrial Europeu (em plena Classificação)?.

Será essa continuidade, que levou os jardins do Palácio de Queluz a assemelharem-se a um batatal?

Será que fala da mesma continuidade que leva os "monumentos" em miniatura do Portugal dos Pequenitos parecerem mais bem conservados do que os reais? Que os leva a ser menos ridículos que a maioria das intervenções realizadas no património?... sabe, é que no Portugal do Pequenitos tudo é claro, tudo é pequeno e caricaturizado de prepósito e sem enganar ninguém!

Será a mesma continuidade, que levou o IPPAR a perder processos, que apesar de respeitarem a obras no Minho tinham e têm que ser avaliadas num gabinete em Lisboa?

Mas será essa mesma continuidade que não me responde há meio ano, mesmo depois de pedir esclarecimentos - em carta registada - sobre uma obra realizada, indiscriminadamente, em um monumento nacional?

Bem, se é essa continuidade, Sr. Gonçalo Couceiro já começou mal.

1.
"Gonçalo Couceiro é o novo director do Igespar", in "Jornal Público" [Por Idálio Revez],
http://www.publico.clix.pt/Cultura/goncalo-couceiro-e-o-novo-director-do-igespar_1409755
Sexta-Feira, 13 Novembro de 2009,[consultado em 2009-11-14].

Saiba mais em:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Igespar
http://www.ippar.pt/pls/dippar/ippar_home
http://www.ipa.min-cultura.pt/

Fotografia de Francisco do Vale


O caso dos 1001 PROCESSOS

Segundo notícia do jornal "Público", o Arquitecto Manuel Salgado, vereador do Urbanismo na Câmara de Lisboa, decidiu não levar por diante a “reapreciação jurídico-técnica” de centenas de processos de licenciamento entrados na Câmara Municipal, entre os anos 2004 e 2007, ligados a polémica da concentração de um número exurbitante de projectos em apenas um "punhado" de autores.

Recordemos que este caso visava alguns - poucos - "mui nobres" colegas arquitectos que tão somente fizeram entrar, com as suas assinaturas, cerca de mil processos na Câmara Municipal de Lisboa!

Perante esta situação, a Câmara Municipal de Lisboa tinha já deliberado em Janeiro de 2008 – a realização de uma reapreciação total dos os processos em causa, que agora fica nula. Pois o Sr. Arq. Manuel Salgado, não cumprindo a deliberação unanimemente aprovada pelo executivo, considerou a tarefa “impraticável”, uma vez que se trata de “cerca de mil processos".

Recordemos mais uma vez que o caso diz respeito ao facto de um número muito reduzidos de técnicos ter feito entrar cerca de mil processos na CM de Lisboa, algo que não só desafia a capacidade física de qalquer pessoa como também, diga-se, a falta de escrúpulos.

Mas pior que a falta de escrúpulos, é com certeza a aparente falta de capacidade das instituições em eliminar estes focos de corrupção. Já há mais de um ano, a sindicância feita pelo Ministério Público ao Urbanismo da Câmara de Lisboa (CML) é clara na análise que faz, segundo a qual a promiscuidade entre interesses públicos e privados está enraizada: «Há intervenção directa de funcionários que têm interesse nos processos, porque têm relações com os gabinetes que produzem os projectos ou com as empresas promotoras»1.

Já todos sabemos, pelos menos aqueles que querem ver, que em cada terriola, em cada cidade e afins, tende a haver demasiada promíscuidade, tráfico de influências, em determindadas relações no mundo da construção civil - e mais não digo, se não amanhã tenho mais alguém a ameaçar-me de mais processos -, e que existem técnicos a assinar muitos, talvez demasiados projectos, sem que a Ordem dos Arquitectos pareça ou demonstre publicamente - ou directamente aos seus constituintes - preocupar-se muito. Contudo este facto tem algo de novo.

O relatório da sindicância aos serviços de Urbanismo, conta que os arquitectos recordistas, isto é os que mais projectos apresentaram à CML em 2006 foram duas jovens arquitectas (na orla dos 30 anos de idade), “com ligações familiares ou outras a antigos técnicos do município” 2. E para além destas colegas figuram no Top10 dois octogenários, um dos quais - segundo o Jornal Público - conta que: "há três anos assinava muitos projectos de restaurantes e bares – “coisas muitos simples” – que eram feitos por técnicos da CML que não os podiam assinar. “Não lhes levava nada, mas via se estava tudo bem” (...) “Além disso havia pelo menos um arquitecto na CML que falsificava a minha assinatura.”(...) o seu colega também octogenário “teve um AVC”, mas ainda “continua a assinar por outros porque está na miséria” 2.

Entretanto como seria de esperar os números vindos a público alteraram-se indiscriminadamente, se no início, pelas palavras do próprio Manuel Salgado, eram 1200. Depois para o director municipal de Gestão Urbanística, Gabriel Cordeiro, eram 800; e logo depois, para o mapa dos servicos 199. Há duas semanas, já eram 500.

E o que faz a Ordem dos Arquitectos perante isto?

Fonte do texto/notícia:
1.
"Relatório aponta promiscuidades nos serviços de urbanismo", in "Jornal Sol" [Por margarida.davim@sol.pt],
http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Politica/Interior.aspx?content_id=74047
3 Janeiro 2008,[consultado em 2009-11-11].

2.
"Ordem quer que CML esclareça ranking de arquitectos que assinaram mais projectos
", in "Jornal Público" [Por José António Cerejo],
http://www.publico.pt/Local/ordem-quer-que-cml-esclareca-ranking-de-arquitectos-que-assinaram-mais-projectos_1409275
Quarta-Feira, 10 Novembro de 2009,[consultado em 2009-11-11].


Fotografia de Francisco do Vale

Faleceu Paulo Gouveia, Arquitecto.

O arquitecto açoriano Paulo Gouveia - autor enre outros dos projectos do Museu do Vinho e do Museu dos Baleeiros, construídos ambos no arquipélago dos Açores -, faleceu. Meus pêsames.

Fotografia de Fernando Guerra, no seguinte sitio online (5nov2009):

Arquitectos "Desumanitários"

Realizou-se recentemente, no Porto, um Workshop intitulado "Arquitectura humanitária", onde supostamente se discutiu o tema da "arquitectura humanitária" e onde imagino, com certeza, que tenham surgido muitas e boas ideias sobre "arquitectura humanitária"...

Aliás por falar em "arquitectura humanitária", se alguém me explicar o que é isso de "arquitectura humanitária" ficarei eternamente grato. Pois a mim parece-me, no mínimo, um pouco esquisito arquitectos anexarem com carácter excepcional o "humanitário" à "arquitectura" e vice-versa - as palavras entenda-se.

Pois então, a Arquitectura já não trata da humanidade, por norma? Não é suposto ela ser obra de boa índole, o materializar de bons sentimentos. A orientação do engenho técnico para uma obra em prol do bem geral da humanidade. O arquitecto já só é excepcionalmente aquele que trata de melhorar a situação dos homens?

Ou será que nunca foi? Ou será que isso já não importa, ao ponto que os próprios arquitectos entendam tal coisa como uma possibilidade momentânea... Se sim ou se não, o título deste workshop é na mesma ridículo. Se o objectivo é descarregar consciências, limpar momentaneamente a alma do alheamento, da resignação e dos devaneios consumistas postos a tona naquele segundozinho de iluminação, não são necessários pleonasmos.

A arquitectura é obra inata de filantropos. Todos os arquitectos são filantropos, logo toda a obra da arquitectura é humanitária; ao contrário, é muito simples, chamemos as coisas pelos nomes.

Discuta-se o alheamento, pelo nome próprio.

Fotografia de Francisco do Vale


Morreu Claude Lévi-Strauss (1908-2009), Antropólogo e Etnólogo

"Tinham-lhes construído casas, viviam fora delas. Tinham-nos obrigado a fixarem-se em aldeias, continuavam no entanto a ser nómadas"
“Tristes Trópicos”p148

O antropólogo e etnólogo Claude Lévi-Strauss, um dos grandes intelectuais franceses do século XX, faleceu domingo, aos 100 anos de idade.

Belga de nascença, cedo mudou-se para França, onde estudou na Sorbonne, em Paris, Direito e Filosofia, tornando-se posteriormente professor de Filosofia no ensino secundário.E mais tarde, em 1935, professor de Sociologia na Universidade de São Paulo no Brasil. Cidade e país a partir do qual iniciaria as suas investigações sobre as populações tribais, primeiro em Sao Paulo e posteriormente no Mato Grosso, na Amazónia e nos Estado Unidos da América. Contactos que culminariam com o surgimento da sua obra mais marcante, “Tristes Trópicos”,em 1950. Um livro mais do que obrigatório para todos os arquitectos.

Um dos pilares da Antropologia Moderna, precursor do movimento ecologista, Lévi-Strauss, deixa-nos antes de tudo, a certeza que o humanismo não se pode alhear da natureza.

Fotografia:
Lévi-Strauss, Amazonia - Brasil 1936
Apic/Getty Images, a partir do sitio online (4-11-09):
http://www.guardian.co.uk/science/2009/nov/03/claude-levi-strauss-obituary

"Irapuato Music Hall and Sports Centre", Irapuato, Mexico (2009-...). Arq. Tatiana Bilbao

Saiba mais em:

Construcção: 10,000 m2
Arquitecto: Tatiana Bilbao
Colaboradores: JJudit Ferrando, Maria Serafin, Juan Pablo Benlliure, Marco Lozano, Mariano Castillo
Estructuras: MONCAD (Jorge Cadena)

Acústica: UST DESIGN (Jorge Galavis)

Futuro Pavilhão Multiusos de Viana do Castelo, Arq. Souto Moura

De visita, novamente, a Viana do Castelo, não perdi a oportunidade para rever a Biblioteca Municipal, projecto de Siza Vieira e de espreitar o andamento da construção do futuro Pavilhão Multiusos de Viana do Castelo, um projecto da autoria do arquitecto Souto Moura.

Podemos constatar, pela fotografia de 20 de Outubro de 2009 comparada com o anterior [post], que a obra - que que concluirá a requalificação da frente ribeirinha, adjacente ao centro da cidade - tem prosseguido lentamente.

Fotografia de Francisco do Vale

CAIM - "A geração é de cobardes"


Após o lançamento do seu novo livro - "CAIM" - o escritor português José Saramago foi alvo de ataques ridículos e de uma série de comentários extremamente inquietantes.

Se numa primeira abordagem, e de facto, todos os religiosos e "crentes" deste planeta podem e têm direito a se sentir incomodados com uma crítica pessoal, e uma determinada abordagem artística, aos textos religiosos pela qual nutrem esperanças; tal direito não lhes concede nenhum outro extra-poder de valor divino para atacar e, mais, imbecilmente insinuar que uma pessoa não tem direito a criticar tal religião, ou a isolar excertos de uma obra para recriá-los. E, isso, muito menos, com o argumento que poderá ofender os crentes! Mas então, onde se encaixa aqui a liberdade de expressão, o direito a criação artística?!

Acerca dessa falsa moralidade, que não passa sim de resquícios de um fanatismo tolerado socialmente, já Antero de Quental, outro grande escritor português nos avisou, "mesmo quando nos julgamos muito progressistas, pode emergir dentro de nós um fanático e um inquisidor".

Ouvir políticos, religiosos, escritores, analistas e outros cidadões muito preocupados com as palavras de Saramago, que segundo eles não deveriam ter sido proferidas por ofender e pôr em causa crenças, dogmas, assusta-me. Assusta-me de facto a intolerância perante a criação artística e a visão limitada de certas gentes que muito provavelmente nunca leram qualquer obra do romancista.

E por me assustarem e, concordar completamente com as palavras de José Saramago - sim a blíblia é um "manual de maus costumes" que só tem provocado a auto-flagelação, o sexismo, a homofobia, o sofrimento, injustiças sociais, as guerras e a morte, tal como alcorão - deixo aqui o meu sentido apoio ao escritor, roteirista, jornalista, dramaturgo, poeta. E, antes de tudo ao pensador português; esse homem corajoso que tem a grandeza de escrever livremente.

Esse homem, o qual um dia tive o prazer de questionar pessoalmente - e de forma irónica no lançamento do "Ensaio Sobre a Lucidez", Faup 2004 - se já se sentia resignado. Provocação a qual ele me respondeu: -"(...) Quando morrer quero que ponham na minha lápide, aqui jaz indignado José Saramago!"

Espero que estes fanáticos inquisidores que ainda reapareçem, de longe a longe, no nosso suposto Portugal democrático, aqueles mesmos que apoiaram a censura d´"O Evangelho Segundo Jesus Cristo", de 1991, não se esqueçam de uma coisa muito importante: em Portugal já não existem as fogueiras da inquisição! E, aos argumentos falaciosos dita o tempo a sua justiça.

Para todos aqueles que não toleram a liberdade de expressão aqui deixo um excerto do livro "Palavras Cínicas" de Albino Forjaz de Sampaio, escrito em 1905:

"Tu crês em Deus? Crês sim, que bem o sei. Pois bem; vai dizer-lhe que eu o odeio com toda a força do meu ódio. Tu que te dás com ele, que crês nele, que és amigo dele, vai dizer-lhe que ele é mais vil do que as coisas vis. Vai dizer-lhe que eu o odeio, porque ele deixou morrer aquela criatura aqui do lado, cujos seis filhos abandonados me vieram comer o meu jantar. Vai dizer-lhe que o ódio que lhe tenho por ele deixar morrer aquele justo, que por ser bom teve de se matar; diz-lhe finalmente que nada disto se deve fazer quando se é Deus.

Que me odeie agora também porque dei o jantar aos pequenos que não o tinham; que me odeie porque a última camisa a dei a um pobre que quase ma roubou; que me odeie porque eu o castigo como no outro dia castiguei um velho que maltratava um cão. Anda, vai dizer-lhe que me odeie, que se alvite ainda mais se é capaz... A geração é de cobardes e "cada ano que passa está mais corrupto o mundo"

Google Building Maker



O Building Maker é uma nova aplicação lançada pela Google que permite, em interligação com o programa de modelação 3d SketchUp, dar volume a edifícios que até agora apenas podiam ser visualizados a duas dimensões no Google Earth.

É certo que o LiveMaps, com o seu "Bird´s eye", já permitia uma visualização muito mais completa de certos edifícios e cidades, mas limitada contudo aos quatro pontos de vista fornecidos. O Building Maker, pelo contrário pretende acabar com essas limitações, propondo "simplesmente" a criação do maior arquivo tridimensional do planeta, de todos os locais, de todas as aldeias, de todas as cidades, e de forma gratuita.

"Alguns de nós aqui na Google passam a maior parte do tempo a imaginar como é que seria possível criar um modelo tridimensional para cada edifício na Terra? Uma das melhores formas de concretizar um grande projecto, e bem, é abri-lo ao Mundo" Mark Limber e Matt Simpson

Para a execução desta tarefa bíblica a Google simplesmente pede a colaboração de todos os internautas com gosto pelo 3d. Qualquer utilizador registado no Google poderá transformar uma imagem plana num modelo tridimensional, todavia a aplicação ainda não está disponível para territótio Português.

Agora a minha dúvida é... quem vai fazer Mosteiro dos Jerónimos?...


Rio de Janeiro, Morro dos Macacos - 17 Outubro de 2009

"no comments"

Saiba mais em:

Fotografias:
Autor/Fonte (em 17 Out. 2009): Ricardo Moraes, para REUTERS

"The Pew House". John C. Pew House, Shorewood Hills, Madison, Wisconsin - 1940. Arq. Frank Lloyd Wright

A minha preferida...


Imagens originais do sitio online:

"Solar Hemicycle" - Casa Família Jacobs II, Middleton, Wisconsin. Arq. Frank Lloyd Wright




Casa 4D- Dymaxion, 1927. Richard Buckminster Fuller


"an experiment, to find what a single individual [could] contribute to changing the world and benefiting all humanity"
in Design – A Three-Wheel Dream That Died at Takeoff – Buckminster Fuller and the Dymaxion Car – NYTimes.com

A casa 4D Dymaxion House, criada em 1927, é uma das concepções do arquitecto Buckminster Fuller (1895-1983), um dos mais talentosos visionários da modernidade.

Figura proeminente da investigação e do experimentalismo no Design a na Arquitectura Moderna, a sua obra demonstra, ainda hoje, o tão arcaico e "castrador" se encontra o ensino e a formação da arquitectura contemporânea actual.

Com a ausência absoluta de experimentalismo na arquitectura actual, quer nas instituições de ensino quer no mercado, obras e percursos como os de Fuller assumem um papel quase messiânico, ao serem a própria "encarnação" do "arquitecto humanista". Autênticos romances históricos com o sangue, suor e lágrimas dos atribulados, e épicos, percursos, daqueles homens que nos fazem ter esperança e sonhar um pouco.

O percurso e obra do norte-americano Fuller, é um destes romaces; após uma expulsão da Universidade de Harvard, do trabalho como operador fabril e de ter cumprido serviço militar na marinha durante a 1ª Guerra Mundial, volta para chicago. Aí, e após uma nova passagem como operário, tenta lançar o "Stockade Building System"- um inovador sistema de construção leve - sem sucesso. Envolto em dificuldades económicas e familiares, aos 32 anos, e prestes a cometer suícido (segundo o próprio), decide mudar a sua vida, optando por "descobrir o quanto poderia um único indivíduo contribuir para mudar o mundo e beneficiar toda a humanidade."

Posteriormente Fuller chegou a aceitar trabalho em troca de refeições, até que de trabalho em trabalho as suas pesquisas e invenções - que visavam essencialmente a eficiência e o baixo custo de habitações e transportes - tiveram eco, ganhando seguidores e admiradores que transformariam a sua vida.

A Casa 4D - Dymaxion, é uma das suas realizações mais interessantes, contudo as suas cúpulas geodésicas tiveram muito mais sucesso, e acabariam por ser construídas em todo o planeta.

Paradoxalmente a 4D não chegou a ser produzida. Esta era uma espécie de casa/manifesto, que reivindicava e "exigia" novos habitats com um máximo proveito dos materiais e autonomia em relação as infraestruturas comuns .

A Dymaxion 4D era de certa forma uma visão de futuro, incluindo já elementos/referências e temas do mundo multimédia, da estandardização e das energias alternativas.

Edifício Olivetti, Frankfurt 1968/72. Arq. Egon Eiermann

Egon Eiermann (1904-70), arquitecto, designer e professor, foi uma das mais destacadas figuras do período pós-guerra da arquitectura alemã; com uma vastíssima obra que atingiu o seu expoente máximo não só na arquitectura como no mobiliário, ainda hoje uma referência pelas suas linhas contemporâneas.

Para além das suas famosas cadeiras - Mehrzweckstuhl SE 68 v, Klappstuhl SE 18 v -, e restante obra de design, destacam-se no campo da arquitectura a Fábrica têxtil - Blumberg (1951), o Pavilhão da Alemenha Ocidental na Exposição Mundial de 1958 em Bruxelas (com Sep Ruf), a Embaixada da Alemanha Ocidental em Washington, DC (1958-1964), o Edifício para o Parlamento Alemão (Bundestag), em Bonn (1965-1969), a Sede da IBM Stuttgart, Alemanha (1967-1972), a nova igreja "Kaiser Wilhelm Memorial Church", em Berlim (1959-1963), e, o edifício Olivetti em Frankfurt (1968-1972), aqui retratado.

Saiba mais em:

Pavilhão Desportivo, Borex-Crassier, 2004-2007. Arq. Mann & Patricia Capua Mann



Mais informação em:


Imagens retiradas no seguinte sitio online (13out.2009):


De "bicla" em "bicla"

Ontem, 12 de Outubro, foi o 17º aniversário da compra da minha primeira bicicleta. Não a primeira que tive, é claro, mas sim a primeira fruto do meu dinheiro, amealhado pacientemente e honestamente, e também, do meu trabalho e perspicácia, em convencer o meu irmão mais velho a contribuir generosamente para algo que poderia - mas claramente não iria - usufruir.

Era uma "Giant stonebreaker", e com certeza foi dos dias mais felizes da minha vida. Ela era linda e super estável, e nos milhares de quilómetros que fizemos juntos poucas vezes me deixou ficar mal. Passava finais de semana a desmontar peças e a limpa-las, para tornar a monta-las e, logo de seguida ter o prazer de a sujar toda nos trilhos das colinas da minha terra.

É certo que fizemos pausas, e esperamos muito também, pois nem sempre tinha dinheiro para comprar peças e pneus para a concertar e melhorar. Também nos esbarramos contra carros e paralelos, tivemos que fugir de carros e camiões, de intempéries e de agricultores de foice na mão, de vacas mais distraídas e de matilhas de rafeiros, e até mesmo do chumbo de certos caçadores menos conscientes... Mas no fundo no fundo, a vida era simples, pois a relação era honesta e apenas comprometida com a "entreajuda" indispensável, ente máquina e a pessoa.

Colhemos o belo sem pensar em cultiva-lo. E isso é que (não) importava, a naturalidade das coisas.

Hoje ela já não anda, mas guardo o quadro como recordação. E, por vezes ainda subo ao sotão para espreita-la e para refrescar a memória, que convém não perder...

E assim me pergunto, se os nossos políticos alguma vez compraram uma bicicleta.

30 anos de cabeçadas e invenções

O que leva alguém a inventar um muro?... A pintar com tinta branca - e dar-se a esse trabalho - a possibilidade de uma parede de blocos de betão, ser vista como um antigo muro de pedra, e se transformar naquilo que já não é, ou nunca foi?

Partir de uma realidade que ainda lá existe timidamente, é certo, com o intuito de mante-la, continua-la, com os meios possíveis com certeza, mas sem que a vontade, apesar de sincera, não vá para além da criação de outra coisa já, que ultrapassa o intento.

Não sei bem.

Talvez seja semelhante vontade que me leva hoje, meu 30º aniversário, a desejar pegar em um pincel... e, em uma só pincelada fazer-me cair de novo, na ingenuidade que já tive.

"...O instante veio e passou, o tempo leva-nos até onde uma memória se inventa, foi assim, não foi assim, tudo é o que dissermos que foi.”


(citação de José Saramago, "O evangelho segundo Jesus Cristo", págs. 203 e 204)

Fotografia de Francisco do Vale



O Palácio, que afinal é um pavilhão, e que talvez seja um jardim

Ontem ao abrir a minha caixa de correio, no Porto, deparei-me - e isto apesar de ter o autocolante "publicidade aqui não" - para além dos desgastantes panfletos políticos, somados aos já familiares anúncios de depilações a laser, carpintaria, pichelaria, igrejas do reino que nem Deus sabe, com um curioso panfleto de esclarecimento público. Neste panfleto, que suponho que todos os portuenses tenham recebido, surge em letras gordas um categórico "Ninguém vai destruir os jardins do Palácio de Cristal", e em outras um pouquinho mais contidas as seguintes frase:

. "A existência dessa persistente desinformação associada a um abaixo-assinado que pretende ajudar a consolidar uma lamentável falta à verdade..."

. "O edifício vais ser reabilitado. O Porto, com o Palácio de Cristal renovado, continuará a dispor dos seus magníficos jardins, mas será, também, bem mais competitivo!"

."(...) implica apenas a remoção de cinco árvores sem qualquer relevo ambiental e a ocupação de uma parte do lago, que assim verá a sua configuração alterada. De resto não há qualquer alteração de excepcional relevo..."

. "Desta forma, o Porto passará a dispor - mesmo a escala Europeia - de um equipamento de elevadísima qualidade para..."

Primeiro ponto, caro remetente, caso não saiba, o Palácio de Cristal já não existe. Este foi demolido em 1951, a pretexto do Campeonato Mundial de Hóquei em Patins, para se construir no mesmo local o Pavilhão dos Desportos, o actual Pavilhão Rosa Mota - um projecto realizado pelo arquitecto Carlos Loreiro, o mesmo que projectou o novo Hospital de Santo António, provavelmente o edifício mais horrível e desajustado que existe na nossa cidade.

Por isso chamemos as coisas pelos nomes correctos. Existem sim, e até quando não sabemos, os Jardins do antigo Palácio de Cristal - idealizados pelo paisagista alemão Emílio David -, nos quais um determinado executivo camarário pretende ver construído um centro de congresso.

Executivo liderado pelo Sr. Rui Rio, e que defende indirectamente que o sossego de um jardim romântico condiz com a pressão de um centro de congressos - em tudo que isto implica de sobrecarga funcional no espaço em causa: impermeabilização do solo, poluição sonora, frequência de cargas e descargas, etc. Algo diga-se, muito estranho, já que muitas dessas mesmas pessoas dizem-se contra a construção de habitação na orla do Parque da Cidade.

Habitação!

E já que falamos do Palácio de Cristal, projecto do arquitecto inglês Thomas Dillen Jones, nunca é de mais relembrar que este antigo edifício inaugurado em Setembro de 1865 - há quase 145 anos - no antigo campo da Torre da Marca, foi construído basicamente com recurso a ferro, vidro e granito, tendo como modelo o Crystal Palace de Londres. É preciso, vincar este facto, o palácio era uma espécie de estufa construída no meio de um jardim, ou não fosse o estilo romântico dominante na época extremamente sensível as questões paisagísticas - algo que se perdeu por completo na actual classe política e burguesia endinheirada do Porto.

Este antigo edifício media 150 metros de comprimento por 72 metros de largura e era dividido em três naves concebidas para acolher a grande Exposição Internacional do Porto. Uso que se foi moldando até se tornar concretamente no principal espaço cultural da cidade.

Este foi, resumidamente, um espaço multifuncional que recebeu inúmeras feiras/exposições e principalmente espectáculos artísticos. Vertente cultural que se perdeu durante muitos anos, ganhando assim especial importância, os jardins.

Ora, com a construção do novo pavilhão a situação não se alterou de todo; ganharam-se é, certo, novas "valências", mas no essencial não existiu uma alteração radical dos usos. Veja-se que o espaço serviu de principal espaço para exposições no período anterior a construção da Exponor, serviu também para a realização da Queima das Fitas e de eventos desportivos e musicais.

Atrevo-me por isso a dizer que a importância de tal espaço na vida dos Portuenses, não advém do edifício em si, nem tão pouco do seu uso, mas sim da qualidade dos jardins, que claramente, neste caso em concreto, são valorizados pelos belos e equilibrados edifícios existentes. Formando um espaço urbano, central, de qualidade ímpar.

Relembro, que a somar ao pavilhão Rosa Mota - edifício classificado pelo IPPAR -, existem duas belas bibliotecas - uma das quais para crianças. Edifícios bem implantados, de proporções correctas e, na minha opinião, com um uso em total harmonia com os jardins.

Segundo ponto; analisando o texto do panfleto, podemos inferir que algo de estranho se passa neste projecto. Ou uma ou outra, ou os senhores na câmara municipal têm outro projecto que não o que saiu para o público, ou então estão a omitir informação. Veja-se o seguinte, na página 2 da memória descritiva do projecto podemos ler que "os grandes objectivos do projecto só serão alcançados com a construção exterior ao perímetro do Pavilhão de uma área de cerca de 3.500 m2 com espaços destinados especialmente a Congressos e afins e restaurante com a respectiva cozinha".

De forma diferente, no panfleto se lê que a nova construção implicará apenas "a ocupação de uma parte do lago, que assim verá a sua configuração alterada. De resto não há qualquer alteração de excepcional relevo..." Três mil e quinhentos metros quadrados de nova construção não têm excepcional relevo?

Essa área implicará obviamente impermeabilização de solo, interrupção/redesenho de percursos, o desaparecimento do actual lago, e é claro uma alteração de atmosfera, já que o novo edifício surgirá com uma forma alongada, no sentido nascente/poente. Situação evitada, por exemplo, no projecto da biblioteca Almeida Garrett.

Terceiro ponto, "Desta forma, o Porto passará a dispor - mesmo a escala Europeia - de um equipamento de elevadísima qualidade para..." empresários. E se renovar o pavilhão é de facto importante - de modo a que este possa receber eventos para a população em geral -, subtrair solo ajardinado de qualidade paisagística, ímpar, e de uso público, para a construção de um programa essencialmente de uso selectivo não me parece correcto.

Um centro de congressos poderá ser feito em muitos outros locais da cidade - como por exemplo na Praça de Lisboa -, sem que para tal se retire área ajardinada de qualidade a uma cidade que por si só já tem uma baixa proporção de "área verde" tratada por habitante.

Para ser franco, sinto-me quase embaraçado por escrever este texto, o que é irritante pois, como arquitecto, e pelo que vejo diariamente por este país e estas nossas cidades, colaboramos cada vez mais - com os nossos projectos - para uma constante degradação dos ambientes, em que vivemos.

E dito isto, quarto ponto; para a próxima vez que encontrar na minha caixa do correio este tipo de publicidade chamarei a polícia. Publicidade a Mango, ao Lidl, ao Minipreço, etc... Ainda tolero. Até porque, estes têm propósitos objectivos e não são pagos pelos contribuintes.

O futuro comsórcio gesotr do espaço em parceria com a PortoLazer:
AEP / PArque Expo / Pavilhão Atlântico / Amigo do Coliseu

A empresa municipal responsável pelo espaço:
Porto Lazer, EM

"Doze anos para aprovar Plano de Matosinhos-Sul"

"Doze anos depois, o Plano de Urbanização de Matosinhos-Sul está mais perto de ser aprovado. É este o documento que define as regras urbanísticas daquela zona. Mas há um pormenor: já está quase tudo construído.

Em 1994, foi aprovado um plano de Reconversão de Matosinhos-Sul que nunca chegou a ser implementado. Quatro anos depois, o arquitecto Siza Vieira era convidado a verter para o papel o Plano de Urbanização de Matosinhos-Sul, uma zona delimitada pelo aglomerado de Real de Baixo, Estrada da Circunvalação, frente marítima e Avenida da República. Desde aí, o documento arrasta-se de mandato em mandato, enredado em pareceres, negociações, discussões públicas e sessões de câmara. Agora, está quase pronto, mas já não será neste mandato que entrará em vigor.

Ontem, o Executivo aprovou por maioria (PS a favor, PSD absteve-se e CDU contra) o documento e a abertura de 22 dias de discussão pública. Findo o prazo, o plano regressa à Câmara para análise das participações. Se não houver, segue para aprovação da Assembleia Municipal e entra em vigor após publicação em Diário da República, o que dificilmente acontecerá antes de 2010.

Guilherme Pinto, presidente da Câmara, congratula-se com os avanços dados nos últimos anos e garante que, se tudo correr bem, o documento é aprovado pelos órgãos autárquicos "antes do final do ano".

Os avanços a que se refere são, sobretudo, as negociações com o Instituto Nacional do Desporto, a Direcção Regional de Educação do Norte e a Administração Regional de Saúde do Norte, cujas exigências emperraram o processo durante anos e só culminaram no final de 2006.

Enquanto o plano se arrastava, Matosinhos-Sul cresceu a uma velocidade estonteante. Rapidamente, a zona deprimida pelo colapso da indústria conserveira, deu lugar a prédios, uns atrás dos outros; os armazéns desocupados foram transformados em restaurantes, bares e discotecas; as ruas estão desenhadas, as acessibilidades definidas, os espaços verdes estabelecidos. No próprio relatório que acompanha o plano adverte-se: "Trata-se de um plano com características muito particulares pois que o solo está urbanizado". Mas afinal para que vai servir o Plano de Urbanização de Matosinhos-Sul?

Guilherme Pinto entende que é um instrumento de "transparência", imprescindível para os cidadãos saberem com o que podem contar. Alcino Soutinho, arquitecto com obra naquela área delimitada, admite que, neste caso, o plano "não traz grandes novidades". Até porque, apesar de não estar em vigor, o documento já tem servido de base às construções e transformações na zona.

"Todas as informações que recebo estão de acordo com o que está expresso no plano", explica Alcino Soutinho, adiantando que a Câmara até tem sido "muito exigente" em relação a algumas questões que considera "miudezas". E dá um exemplo para mostrar como as regras estão bem definidas: "o plano proíbe as varandas balançadas. Repare como todas são retraídas, deixando as fachadas limpas".

Guilherme Pinto concorda e assume que, embora o Plano Director Municipal de Matosinhos seja o único com força de lei naquela zona, "a Câmara sempre respeitou e fez respeitar o plano de Matosinhos-Sul".

Esta é, aliás, uma batalha da CDU. Honório Novo nunca aceitou que as operações urbanísticas seguissem um plano por ratificar. A Inspecção- Geral da Administração Local pronunciou-se recentemente sobre o caso concluindo que os licenciamentos estão legais."

Fonte do texto/notícia:
"Doze anos para aprovar Plano de Matosinhos-Sul", in "Jornal Notícias" [Inês Schreck],
http://jn.sapo.pt/paginainicial/pais/concelho.aspx?Distrito=Porto&Concelho=Matosinhos&Option=Interior&content_id=1368303
Segunda-Feira, 22 de Setembro de 2009,[consultado em 2009-09-22].


Imagem:
Via GoogleEarth

Museu Casa das Histórias Paula Rego, Cascais 2009. Arq. Eduardo Souto Moura


O museu Casa das Histórias Paula Rego, construído em Cascais é um belíssimo projecto do arquitecto Eduardo Souto de Moura, edificado para albergar a obra gráfica da pintora Paula Rego e, também obras do marido, Victor Willing, artista e crítico de arte.

Com 750m2 de áreas de exposição permanente e temporária, cafetaria, loja, livraria e um auditório com capacidade para 200 lugares, este projecto promete ser mais um ponto charneira no percurso de Souto Moura

Diariamente das 10h às 22h00
Entrada gratuita
Av. da República, 300
2750-475 Cascais
Tel: +351214826970
www.casadashistoriaspaularego.com
info@casadashistorias.com

Fotografia de Luis Ferreira Alves
Imagens: maqueta e esquisso de Eduardo Souto Moura

PechaKucha Night Porto 03

A terceira edição terá lugar Sábado, no dia 19 de Setembro de 2009, nos Jardins do Palacete Pinto Leite.

Centro Paroquial de Rivas-Vaciamadrid. Arq. Ignacio Vicens y Hualde e José Antonio Ramos Abengozar


Saiba mais em:
www.bienalx.es

http://www.archdaily.com/26101/parish-church-of-santa-monica-vicens-ramos/

Fotografias de:
Pablo Vicens y Hualde & Ricardo Santonja

"Engenheiros-Arquitectos"


Um amigo teve a amabilidade de me enviar um email com este hilariante anúncio, é caso para dizer "no comments".

Veja Aqui:

"The Ledge", Sears Tower Skydeck, Chicago - Illinois.

Instaladas no edifício mais alto da América do Norte - Sears Tower -, estas varandas de vidro, que entraram definitivamente na moda, prometem sensação fortes, permitindo aos visitantes a sensação de flutuar acima da cidade. Ou, não estivesse estas quatro caixas de vidro, instaladas no centésimo terceiro andar.

Conhecidas por "The Ledge", estas plataformas - montadas em locais inacessíveis - em situações normais -, oferecem visualizações extremas da cidade; têm cerca de 3 metros de altura e largura, vidros com cerca de 4cm de espessura, e suportam cinco toneladas.

Entrada, 15 dólares.

Saiba mais em:

Fotografia de:
Getty Images e AP, no seguinte link:
http://www.mirror.co.uk/2009/07/02/new-skydeck-of-the-sears-tower-115875-21488958/

"Portugal, que Futuro?", de Medina Carreira

"Do que mais se queixam os Portugueses?

Do desemprego elevado, dos salários baixos, das pensões exíguas, da pobreza crescente, dos impostos altos, da “hipoteca” dos endividamentos e do futuro sem esperança.

Em Portugal, que futuro?, Medina Carreira analisa a especificidade da crise portuguesa e alerta para a urgência de trabalhar para a superar. Afirma que: “Portugal suporta uma crise, grave e duradoura, que é só sua e que só aos Portugueses compete resolver.

Já desperdiçámos um tempo precioso e nada fizemos para atenuá-la, muito menos para superá-la. Poderemos empobrecer lentamente até que da Europa só nos reste a geografia. Poderemos fingir que tudo está no bom caminho, mesmo quando sabemos que não está. Poderemos confiar nos acasos, com um optimismo que é apenas uma imensa irresponsabilidade. Uma coisa, porém, é certa: se não conseguirmos «mudar» o essencial da nossa sociedade, teremos o futuro comprometido.”

Portugal, Que Futuro?
O tempo das mudanças inadiáveis de Eduardo Dâmaso, Medina Carreira
Edição/reimpressão: 2009
Páginas: 216
Editor: Objectiva

Edifício Imocom, Parque das Nações - Lisboa. ARX - Portugal

O Edifício Imocom, projecto da autoria do gabinete português ARX-Portugal - seleccionado no âmbito do concurso internacional lançado pela IMOCOM em 2006 - está a ser construido no Parque das Nações, prosseguindo a bom ritmo. Actualmente já é possível discernir a forma final por entre andaimes e gruas...

Mais informações em:

Imagem original da maqueta, em:

Fotografias de Francisco do Vale

O meu fim de semana

Porto (Ribeira)
Lisboa (Pavilhão de Portugal)
Lisboa (Oceanário)
Lisboa (Gare do Oriente)
Queluz (Palácio de Queluz)
Queluz (Palácio de Queluz)
Sintra
Porto (Red Bull Air Race)
Porto (Ribeira)
Porto (Estádio de Dragão, Fcp 4 - Leixões 0)


Fotografias de Francisco do Vale

Arq. António Portugal - 1965/2009

O Arquitecto António Portugal, nascido em 1965, formado pela Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, em 1990, e distinguido em 2005 nos AR Awards for Emerging Architecture, em Inglaterra, faleceu no passado dia 4 Setembro, aos 44 anos.


Saiba mais em:
http://www.aportugal-mreis.com/

Fotografia original em:

Documentário "OPERAÇÕES SAAL", em Barcelos

No próximo dia 23 de Setembro, pelas 21:45 no Auditório da Biblioteca Municipal de Barcelos, vai ser apresentado o documentário Português "OPERAÇÕES SAAL" (Cores/Preto e Branco, 100 min).

Com realização, argumento e montagem de João Dias, este filme sobre o SAAL - Serviço de Apoio Ambulatório Local, um serviço descentralizado criado com o intuito de dar apoio às populações que se encontravam alojadas em situações precárias, no período pós 25 Abril 1974 -, apresenta-nos depoimentos na primeira pessoa de moradores dos bairros SAAL e de arquitectos que participaram no movimento, como Álvaro Siza, Eduardo Souto Moura, Nuno Portas, Gonçalo Byrne, Alexandre Alves Costa, Nuno Teotónio Pereira, Manuel Vicente, Raúl Hestnes, José Veloso, entre outros.

Este empolgante movimento revolucionário, que envolveu arquitectos e população numa iniciativa baseada na autoconstrução apoiada pelo suporte projectual e técnico dado por "brigadas" de técnicos - que actuavam directamente em bairros degradados -, foi único e continua passados 30 anos uma das mais notáveis tentativas de melhoria das condições habitacionais.


Merece uma visita a Barcelos.


Imagem:
Cartaz do Filme "Operações SAAL".

"Gapminder". Números de um mundo global

Neste sitio "online" - www.gapminder.org - poderá explorar e consultar estatísticas de todos os países do mundo e, comparar entre estes, ou os países que lhe interessarem mais, índices e estatísticas disponibilizadas pela "Gapminder". Tal como, a evolução dos números sobre a expectativa de vida, o solo florestal e agrícola existente e, as emissões de co2, entre muitos outros.

Sem fins lucrativos, a "Gapminder" foi fundada em Estocolmo por Ola Rosling, Rosling Anna Rönnlund e Hans Rosling em 25 de fevereiro de 2005, com o intuíto de promover ao nível global o desenvolvimento sustentável, colaborando para o aumento do uso e compreensão das estatísticas e outras informações sobre o desenvolvimento social, económico e ambiental a nível local, nacional e mundial.

Numa espécie de "museu moderno" - como se auto-definem - que "ajuda a tornar o mundo compreensível, usando a Internet."


Imagem original em:
www.gapminder.com

 
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